A mãe e sua influencia no feminino da filha

O arquétipo seria uma idéia preexistente. A forma do arquétipo é herdada, mas o conteúdo não, pois não depende de mudanças históricas e ambientais, sendo sempre determinado pelo individuo. Todos os arquétipos contem um lado positivo e negativo. São estruturas inatas da psique, atuam no inconsciente coletivo e na personalidade do individuo.

A influência dos arquétipos na psique e sobre nossas emoções, nossos sentimentos e nossas projeções que uma vez ativados, podem tomar conta da personalidade.

O arquétipo da grande mãe possui seus aspectos positivos e negativos, as representações mais características são: a mãe, a avó, a madrasta, a sogra, a ama de leite. No sentido mais elevado temos a mãe de deus, em um sentido mais amplo a igreja, a terra, no sentido mais restrito, o jardim, a gruta, etc.

No arquétipo da mãe são atribuídos tanto acolhimento, cuidado, sabedoria, como aterrorizantes, devoradoras, etc.

O arquétipo da mãe esta entremeado ao arquétipo feminino que exerce influência tanto no homem como na mulher. No homem esse aspecto feminino denomina-se anima e tem a função de relação no homem com a sua própria feminilidade, seus sentimentos, sua espiritualidade. Na mulher, o feminino implica nas situações de vivencia com o próprio corpo e influencia na relação com o outro.

O modelo feminino para a menina é sua mãe. Nesse modelo estão agregados tanto o arquétipo da mãe quanto o do feminino e é no encontro deste, na vivencia com a mãe real, que ocorrerão as impressões daquela futura mulher a respeito de si e do mundo. É necessário que haja separação da mãe para a construção da identidade feminina na mulher.

Podemos observar mulheres distinguidas psicologicamente como maduras, sendo aquelas que primeiros serve ao amor, e as imaturas, aqueles querem ser servidas por ele. A mulher madura vive a sua vida sexual e instintiva de forma responsável e consciente e não apenas para obter uma gratificação pessoal.

A mulher que não consegue diferenciar-se, afastando-se da raiz materna, tende a encontrar maior dificuldade na discriminação e sua o sexo para reverenciar o corpo, numa relação auto erótica, na tentativa de tornar-se consciente de si própria e resgatar sua identidade individual.

Na estrutura de complexo, podem-se encontrar elementos de configurações psíquicas dotados de forte carga emocional e que são incompatíveis com a atitude habitual da consciência. Por estar imerso no inconsciente, o complexo tem um grau elevado de autonomia, e por isso, nem sempre esta sujeito ao controle da consciência, muitas vezes, pode se comportar como outro individuo, levando a agir de forma muito diversa da habitual.

A perda de autonomia imposta pela constelação de um complexo, faz com que o sujeito reage de forma bastante previsível evidenciando, sempre, em seu comportamento, uma reação emocional como resposta, impotente para abster deste comportamento.

O complexo materno remonta a fase mais infantil e primitiva do ego, pode atrapalhar ou até impedir a aquisição de uma identidade verdadeira. Quando ativo e inconsciente leva a fixação na mãe e acarreta impedimento de o sujeito seguir adiante em busca de auto-realização.

Na filha, o complexo materno pode apresenta na forma de uma intensificação dos instintos provindos da mãe, ou na atrofia e, ate mesmo, na extinção dos instintos. No primeiro caso há indiferenciação, isto é, a inconsciência da filha a respeito de sua própria identidade e, no segundo caso, uma projeção dos instintos sobre a mãe.

Quando há hipertrofia do instinto maternal, como aspecto negativo, tem-se uma mulher cujos interesses ficam restritos a conceber e parir. A relação com um homem fica em segundo plano. Se não for capaz de gerar filhos, cuidará de parentes, da casa. Sua vida é vivida nos outros e as relações são estabelecidas dessa forma de poder. Por estar identificada com os outros, permanece freqüentemente inconsciente de sua personalidade. Em seu lado positivo pode-se expressar na forma de amor materno, que carrega a força motriz e representa a raiz construtiva da transformação e da capacidade de cuidado consigo mesma e com o outro.

Outra possível variedade do complexo materno é a exacerbação de Eros, onde ocorre uma diminuição importante do instinto materno, leva a filha a uma relação incestuosa com o pai e de repulsa com a mãe. Na vida adulta, tendera a ter relações com homens casados, mas no sentindo de perturbar o casamento. Ao conquistar seu objetivo, por falta de instinto materno, perde o interesse e uma nova busca é iniciada. Em seu lado positivo, como elemento perturbador, a mulher possa ser perturbada e dessa forma seja transformada, adquirindo consciência de si mesma.

A identificação com a mãe é outra possibilidade do complexo materno. Devido a um bloqueio da própria iniciativa do feminino, a filha projeta sua personalidade sobre a mãe em razão de estar inconsciente de seu mundo instintivo materno e de seu Eros. A filha tende a supervalorizar e a idealizar a mãe como modelo, e passa a experimentar sentimento de inferioridade. Vivem uma existência sombra de alguém, inconsciente de si. No casamento captam as projeções masculinas para a total satisfação do homem em detrimento de suas necessidades pessoais. Seu aspecto positivo. Quando desempenha um papel para o marido (projeção da anima do marido), há a probabilidade de que, extrapolando seu limite, consiga descobrir quem realmente é.

Há o estagio intermediário, na qual consiste numa defesa contra a mãe, Istoé, uma defesa contra a supremacia da mãe, onde vale qualquer coisa, menos ser como a mãe. Este é um caso típico de complexo materno negativo. A filha luta para não ser como a mãe, no entanto, não sabe quem é ela própria e nesse conflito, permanece inconsciente a respeito de sua própria personalidade. Seus instintos concentram-se na defesa contra a mãe, desse modo, a prejuízo na construção de uma identidade autentica e da autonomia. Manifesta-se sob a forma de distúrbios de menstruação, dificuldade de engravidar ou repulsa pela gravidez, falta de interesse por tudo o que representa família e convenção. Há um investimento na vida racional, a objetivação de um espaço onde Mao não possa existir, com ênfase no seu masculino e na ruptura do poder materno através da intelectualidade.

Para alcançar a transformação do complexo é necessário alcançar o núcleo arquetípico, caracterizado por imagens e representações mitologias. No dialogo do ego com as fantasias e as imagens advindas do complexo, é estabelecida uma relação com o inconsciente, e neste momento tem-se a oportunidade de ser construída uma identidade mais consciente, alem da abertura para auto-realização.

Referencia de texto: O complexo materno e o feminino emergente, Joyce Lessa Werres

                                                                        Aline Sanches – Psicóloga Clínica

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